A deputada Natália Bonavides (PT-RN), antes de fazer suas perguntas ao ministro Sérgio Moro (Justiça), hoje (2), na Câmara, lembrou ao ministro que ele perdeu 10 pontos de popularidade logo após as reportagens sobre a “Vaza Jato”, do premiado jornalista Glenn Greenwald. “Ou seja, nós estamos vivendo uma crise na sua credibilidade, principalmente no que diz respeito à condenação do ex-presidente Lula. A sua aprovação popular, que já tinha se agravado com a sua adesão ao Bolsonarismo, quando foi indicado ministro, só piora depois das reportagens”, afirma a parlamentar.

Diante disso, considerou a deputada do Rio Grande do Norte, a linha de sua defesa é contraditória. “É como se o senhor apostasse em dois cavalos: Ora diz que não tem nada de mais nas mensagens, ora diz que não reconhece as falas. É como se tivessem dois Moros. A prova dessa grave contradição dos Moros é que um deles fez vazamento ilegal quando era juiz, inclusive sendo objeto de queixas do saudoso ministro Teori Zavascki e o Moro de hoje, que reclama dos vazamentos que são objetos de reportagens do site The Intercept e de outros jornalistas. O Moro juiz é um e o Moro ministro parece ser outro”, comparou.

Natália frisou que o ministro estava na Câmara para se explicar. “Para além da retórica torta de descredibilizar as mensagens, pergunto ao senhor sobre os seguintes fatos: Independente de recordar ou não das mensagens que escreveu, objetivamente o senhor nega que deu aconselhamento para a acusação, no sentido de como se comportar perante a imprensa, especialmente orientar o acusador que lançasse nota contra a defesa do presidente Lula? O senhor sugeriu isso?”, indagou.

Ela repetiu também as perguntas feitas por outros companheiros de bancada que ficaram sem respostas, como a se Moro aconselhou a acusação a entrar em contato com a testemunha indicada por ele, contra o ex-presidente Lula. “E o juiz e a acusação concordaram que a dica da testemunha podia ser formalizada como denúncia anônima? Ocultando que o senhor interferiu?”, questionou e ainda provocou: “É simples de responder”.

Aliás, continuou Natália, “se era notícia-crime regular porque o anonimato? Pela verdade, diante dos fatos e não de retóricas tortas, o senhor já praticou algumas dessas modalidades de aconselhamento a algumas das partes especificamente no processo do presidente Lula?”, questionou e lamentou afirmando que era uma pena Moro ignorar tantas perguntas. “O senhor não cumpre com sua obrigação e desrespeita a prerrogativa dos parlamentares, é um desrespeito a esta Casa e mostra que o senhor não tem respostas razoáveis para dar”, concluiu.

Suspeição de conduta

O deputado Afonso Florence (PT-BA) enfatizou que por diversas vezes Moro disse que as conversas entre ele e os procuradores da Lava Jato foram hackeadas, mas que não via problema em nenhum dos conteúdos. “São verdadeiras as mensagens de Vossa Excelência com o procurador Deltan Dallagnol, na qual o senhor o aconselha a não prosseguir na investigação em relação ao Instituto FHC e ao ex-presidente Fernando Henrique, a título de que ele seria melindrado com isso?”, questionou o deputado, acrescentando que nem ia considerar a pública amizade de Moro com correligionários do ex-presidente. “Fotos e congraçamentos é do seu direito na vida privada, apesar de que aumenta a suspeição sobre a sua conduta”, completou.

Afonso Florence insistiu ainda para saber da veracidade de uma outra mensagem entre o procurador Dallagnol e uma procuradora, sobre fazer uma busca e apreensão na casa do hoje senador Jaques Wagner, a poucos dias do segundo turno. “A procuradora pondera que já tinha ocorrido essa busca e apreensão, mas ele insiste e diz ‘isso é urgentíssimo, tipo agora ou nunca kkkk’. Vocês riram da República? Vocês riram do devido processo legal?, questionou indignado.

O deputado do PT baiano quis saber também se naquela ocasião Moro já havia sido convidado pelo atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a quem ele inocentou do crime de caixa dois, para ser ministro de Bolsonaro. “É verdade?”, indagou acrescentando que está “sob suspeição a sua condução do inquérito”. E mais: “Hoje, vossa excelência pôs sob suspeição a Lava Jato. Vocês tentaram fraudar a eleição no Brasil. Por isso vocês têm que ser investigados e o senhor tem que ser demitido do Ministério da Justiça”, afirmou.

O deputado Joseildo Ramos (PT-BA) invocou o Código do Processo Penal, citando o artigo 254 que fala que “o juiz dar-se-á por suspeito e se não o fizer poderá ser recusado por qualquer das partes” e no inciso 4 “se tiver aconselhado por qualquer das partes”. Ele destacou que, segundo as mensagens vazadas, no dia 10 de maio de 2017 Moro ouviu o depoimento do ex-presidente Lula e depois conversou com o procurador Carlos Fernando Santos Lima pedindo uma avaliação do interrogatório. “E o senhor debochou da defesa do Lula, afirmando que já teria dado o seu ‘showzinho’ e sugeriu, orientou, aconselhou que o Ministério Público Federal soltasse uma nota apontando principalmente as falhas e contradições no depoimento de Lula. O que foi feito no dia seguinte”, criticou.

Joseildo disse que ia insistir na pergunta sobre se Moro, em algum momento dialogou no mesmo nível com a defesa de Lula, porque ele até aquele momento não tinha respondido aos outros deputados que o antecederam. “O senhor nega ter grampeado os advogados de defesa de Lula? O senhor comentou com Dallagnol sobre a abertura do sigilo de Dilma e de Lula numa conversa privada? Isso é crime? Eu preciso de uma vez por todas que o juiz, hoje ministro, se coloque claramente se a cultura generalizada de um magistrado é se acumpliciar com quem está fazendo a denúncia?, concluiu.

Por PT na Câmara

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