“Não serei interrompida”, disse Marielle Franco na Câmara Municipal do Rio de Janeiro em sua curta atuação como vereadora. Curta porque em 14 de março de 2018 assassinaram, de forma cruel, uma parlamentar democraticamente eleita e seu motorista, Anderson Gomes. E mesmo assim, Marielle estava certa em sua fala. Nesta quinta-feira, quando o crime completou um ano, manifestações se espalharam pelo Brasil e deram a volta ao mundo prestando homenagem e cobrando respostas para a pergunta que não se cala: quem mandou matar Marielle?

Em São Paulo, a manifestação por justiça e esclarecimentos sobre o caso teve início por volta das 17h, na Praça Oswaldo Cruz. Não demorou muito para que o espaço fosse pequeno para a quantidade de pessoas que saíram de casa em memória de Marielle e Anderson.

Já com o espaço lotado, mulheres negras comandaram uma cerimônia artística em homenagem às vítimas desse crime brutal, cujas investigações não foram concluídas após um ano. Em seguida, uma aula pública debateu questões de raça e gênero entoando o grito “vidas negras importam” enquanto muitos dos presentes choravam. Um misto de luto e luta. Esse primeiro momento também foi marcado por um ato inter-religioso em memória da vereadora e seu motorista.

A noite, as milhares de pessoas presentes deram início a caminhada pela Avenida Paulista e seguiram até o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), onde permaneceram até cerca de 21h. Nos cartazes e nas palavras de ordem era nítida a certeza: assassinaram Marielle de forma cruel – um emboscada, 14 tiros disparados contra o carro em que ela estava, mas seu legado não morre.

Foi o que destacou a companheira de luta e amiga da vereadora, Jane Barros, que estava presente no ato em São Paulo. “Hoje é uma data muito ingrata para nós, um dia muito difícil, mas que se torna cada vez mais importante”, contextualiza.

E continua: “Primeiro porque não podemos esquecer o que aconteceu. Foi uma das coisas mais bárbaras que aconteceu nos últimos anos e precisa ser lembrado. Não só porque exterminou a Marielle e o Anderson, mas porque exterminou uma mulher negra e socialista que falava por muito de nós. Exterminou muitos de nós”.

Ela afirma ainda que os mandantes do crime talvez não esperassem uma reação tão grande ao assassinato, o que torna ainda mais importante saber “quem mandou matar Marielle?”, avalia.

“São muitas as razões que nos trazem aqui mesmo com muita tristeza, mas com muita força e a certeza de que só a luta pode fazer jus à Marielle”, conclui.

Legado de Marielle

Também presente no ato, Simone Nascimento destaca a importância das mobilizações que ocorreram no Brasil e em diversos países nesta quinta-feira (14). “É muito importante que a gente se lembre do legado de Marielle. Além de uma vereadora, de uma mulher negra, ela é uma liderança política que foi assassinada como ha muito tempo não matavam as nossas lideranças”.

Simone denuncia que, além de Marielle, dezenas de pessoas também morreram durante a intervenção federal naSegurança Pública do Rio de Janeiro. “O que aconteceu com ela não está dissociado do que está acontecendo no Brasil. Precisamos denunciar e pedir justiça, fazer com que não passe impune. (…) Estamos aqui para perguntar quem mandou matar. Além de saber quem puxou o gatilho, é fundamental saber quem são os poderosos que não queriam Marielle viva”, questiona.

O teor racista da execução da vereadora e seu motorista também foi destacado por Letícia Maria, que define o crime como um atentado contra democracia.

“Os mandantes dessa execução não esperavam que matar uma mulher preta fosse dar tanto repercussão, que as pessoas realmente fossem se importar porque em geral as vidas negras não importam. Ela dedicou sua vida pra defender todas as minorias, serviu como um simbolo de resistência. Nem toda milícia do vai calar a voz daqueles que resistem. Não vão nos calar”, ressalta.

O legado que Marielle deixou na luta por justiça e igualdade era um sentimento compartilhado entre todos os presentes tanto quanto a luta por uma solução definitiva para o caso.

“É assustador pensar que a gente ainda não tem resposta. É mais do que uma homenagem, é um recado para aqueles que estão no poder e acham que está tudo ganho, não está. Marielle é semente, assim como todas as outras que vieram antes dela. Não vamos deixar passar. Ela vai estar pra sempre no nosso peito, nos nossos corações e na nossa garganta, entalada, como um grito de luta, de desespero e de basta. Está aqui hoje é mostrar que tudo que ela fez não foi em vão”, declarou Daniele Paulo

Da Redação  da Agência PT de Notícias

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